“Look up from the hymnal,
look ’round at the faces of families closing their eyes
We’re taking Communion
and passing the offering hat around at the same time ”
Cold War Kids – Passing the hat
Domingo eu não fui à igreja normal (meu pai tá de férias, acho), mas fui em uma reunião na casa da Luciana. E pra variar, foi lindo. Eu ainda não sei se esse é o caminho certo, se é isso mesmo que eu quero, mas pra mim é impossível não me sentir muito mais em comunhão nesse tipo de ambiente. As pessoas abriram seus corações, contaram coisas particulares, se expuseram na frente dos irmãos, como muitas famílias reais não fazem.
E mesmo depois, depois que a reunião propriamente dita havia acabado e os grupinhos estavam conversando, parecia que eu tinha sido inundada com o amor de deus pelas outras pessoas. Deus sabe que eu não sou muito boa em compaixão. As vezes eu me pergunto “o que uma pessoa normal estaria sentindo nesse momento” e finjo, pra todo mundo não achar que eu sou insensível. Mas nesse dia… Enquanto a Lígia me contava coisas do casamento dela, sobre a mudança, sobre a insegurança, eu tinha lágrimas nos olhos. Lágrimas sinceras. E depois quando a Lu contou os problemas do irmão dela, e eu vi o quão casada e preocupada ela estava, tudo que eu queria era dar um abraço bem grande nela.
Mas eu sempre sinto que há uma barreira. Eu não consigo me sentir eu mesma no meio deles. Pra mim é como se eu fosse a filha do Gilberto e da Adriana, e não a Julia. Eu não sei até onde isso é verdade e até onde eu imagino, mas pra mim é complicado ser amiga dos amigos dos meus pais, por mais que aqui dentro, eu me sinta amiga deles. Eu queria MUITO me achar.